A educação dos filhos depende do relacionamento dos pais


Quero terminar este assunto da educação, com uma reflexão, a meu ver, deveras importante, e deixar cada pai e mãe, a pensar nesta questão: a educação dos filhos depende do relacionamento dos pais.

O psicoterapeuta Ferruci demonstrou, na sua experiência clínica, que "cada ser humano é o resultado da relação entre dois indivíduos: o pai e a mãe" (livro "Nossos mestres são as crianças"). Esta relação fica enraizada em nós e permanece ao longo da nossa vida, emanando a sua doçura, tranquilidade, fortaleza, amor, esperança ou medo, tristeza, solidão, inquietude, dependendo da herança que os nossos pais nos deram.

A educação dos filhos depende dos pais, da vida do casal, portanto a primeira preocupação do casal deve ser viver bem um com o outro. O casal precisa, diariamente, recordar as promessas que fez no altar de amar, respeitar e ser fiel um ao outro, até ao fim da vida, seja na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza. Como é fácil esquecer esta bela promessa que se fez nesse dia, tão repleto de emoções.

O amor é decisão e exige renúncias. Muitas vezes terei de dizer não às minhas vontades, desejos, sonhos, para dizer sim às do meu cônjuge. Mas esse é o selo do verdadeiro amor, o sacrifício, e é ele que garante a felicidade do casal e dos filhos.

O amor não é orgulhoso, que tudo quer à sua maneira: quando a esposa acha que tem razão em tudo e toma o controlo de todos os detalhes, menosprezando o esposo, desvalorizando-o e até humilhando-o à frente dos filhos, está a criar uma ferida profunda na alma dos seus filhos e a abrir uma brecha para que eles a odeiem a ela ou ao pai. Cuidado com o orgulho e a soberba no casal.

O amor não é egoísta: quando o esposo quer tudo para si, guarda a melhor comida, compra as melhores roupas para si, os melhores carros, telemóveis, perfume e esquece da sua esposa, os filhos sentem a dor da mãe e ficam magoados com o pai. Os filhos começam a odiar o pai, porque só olha para ele mesmo, só pensa no seu bem, mas podem começar a replicar esse comportamento contra a própria mãe, menosprezando-a, desvalorizando-a, tornando-se pessoas invejosas e rancorosas.

O amor não é ríspido, grosso, malcriado, impaciente: quando o cônjuge se torna bruto na forma de tratar o outro, não sabe esperar, magoa com palavras e atos, chega a ser agressivo até, isso não é amor. Os filhos sentem estas atitudes, de forma muito invasiva, em si mesmos, este tipo de comportamento deixa marcas profundas nos seus corações e torna-os medrosos, inseguros, não amados e podem, por vezes, eles mesmos, tornarem-se violentos para com os outros.

"O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante, nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." (1Cor13, 4-7).

Este é um hino, muito belo, ao amor e deverá ser o nosso hino de cada dia. Os casais que vivem isto, mesmo no meio das lutas diárias, amam-se verdadeiramente e deixam um legado muito poderoso aos seus filhos. Errar é humano, todos nós temos momentos em que vacilamos, dizemos o que não queremos, agimos no impulso, o importante é reconhecer que errei e pedir perdão ao meu cônjuge e, ainda, se a asneira foi à frente dos filhos, então o pedido de perdão, também, será na sua presença e estendido a eles. Os filhos sofrem quando veem os pais discutir, falar alto, ofenderem-se e quando são pequeninos, eles sentem muito medo, ficam muito ansiosos, pois não entendem o que se está a passar, nem compreendem o motivo. Quantas vezes as crianças pensam que os pais discutem por causa deles, de um comportamento que foi repreendido e o que fica dentro deles é "Ai! Eles estão a discutir porque eu me portei mal!", eles sentem que são a causa da desavença dos pais, a culpa é deles. Pais, precisamos proteger os nossos filhos, a começar por nós mesmos.

Concluindo, se quer ser uma boa mãe e dar uma boa educação aos seus filhos, então ame o seu esposo, perdoe-o, elogie-o, cuide de si, da sua aparência para ele e promova o vosso amor. Se quer ser um bom pai, então ame a sua esposa, dê a vida por ela, respeite-a, esforce-se por a compreender, saiba esperar, valorize-a, faça-a feliz e que ela se sinta a mulher mais amada do mundo. Não imagina a bela herança que está a dar aos seus filhos, com esse amor esponsal, está a dar-lhes o melhor exemplo de amor que eles podem ter, sentir e replicar e, ainda, a selar nos corações deles a mais bela mensagem de amor que eles levarão para a eternidade.

Marta Faustino

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©2020 por Marta Faustino - Psicóloga clínica.