A esperança no meio do caos do descontrolo

A psicologia positiva dedica-se muito a estudar o construto da esperança, porque ela é, extremamente, importante na nossa vida. A esperança tem um poder tremendo, que vários pesquisadores foram percebendo e constaram a sua conexão com, inclusive, a saúde da pessoa, isto é, perceberam o impacto que a esperança tem na saúde física e psíquica da pessoa.



Pesquisas recentes da psicologia positiva indicam que pessoas com um nível elevado de esperança conseguem um melhor desempenho académico (não tendo em conta o seu QI, isto é, podem ter um QI mais baixo e, ainda assim, terem melhores resultados), detêm pensamento divergente (a capacidade de produzir diversas ideias, associações e detalhes, portanto conseguem resolver, mais facilmente problemas) e elevado nível de consciência (têm mais noção de si mesmas, das suas capacidades e limites). Com estas características, compreendemos que se torna mais fácil enfrentar os problemas e adversidades, que surgem ao longo da vida, pois a pessoa tem recursos internos que a sustentam e a levam a ver a vida de outras perspetivas.


Mas falar de esperança não é falar só de uma emoção que surge dentro de nós e, portanto, uns têm e outros não, ou falar de passividade, como se ter esperança é esperar e pronto. É muito mais do que isso, ter esperança passa por acreditar, é uma ação, um movimento, ela envolve a vontade, a perseverança e a fé, portanto, a pessoa precisa de a trabalhar dentro de si. A esperança ajuda-nos a ter uma visão positiva de nós mesmos, do mundo e do futuro, a isto se chama a tríade cognitiva positiva (Crocker, 1998).


Snyder foi o grande impulsionar, pensador e pesquisador deste construto e de acordo com a Teoria da Esperança (Hope Theory – Snyder 1991), esta é uma força humana essencial que assenta em 3 aspetos do pensamento, distintos, mas interligados:


1)Pensar nos Objetivos: definir bem os objetivos, eles precisam ser claros e válidos;


2)Pensar nos Caminhos: clarificar estratégias especificas para os alcançar;


3)Pensar na Atitude: capacidade para iniciar e manter a motivação necessária para a utilização das estratégias definidas.


Uma grande ameaça à esperança é a impotência, isto é, quando percebo que algo foge ao meu controlo, quando algo ameaça a minha sensação de segurança, conforto e estabilidade. O surgimento de um imprevisto, de algo que não era suposto ter acontecido, leva os meus alertas internos a dispararem, faz surgir a insegurança e, com ela, imerge a ansiedade.

Contudo, uma situação de descontrolo não pode ser o fim da esperança, é necessário, de nós, a capacidade de flexibilidade e o sentimento de que algo pode, sempre, acontecer de positivo. Aqui é onde vemos a esperança a ressurgir e a luzinha que antes se apagou, momentaneamente, volta a ganhar intensidade e traz de volta a certeza de que algo melhor está por vir.


A esperança é a confiança de que algo melhor surgirá, mesmo não vendo nada de bom, hoje, mesmo estando tudo escuro à nossa volta e não se perceba por onde é o caminho, a esperança é essa luz e força que nos faz mover-nos, mesmo sem certezas, mas não nos deixa abater, não nos permite desanimar e baixar os braços.


Força, não deixe que a esperança morra dentro de si. Comprometa-se com a esperança neste ano de 2022.


Marta Faustino

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