Conviver em família: o desafio da intimidade




A família inicia-se com o casal e, quando começa, os dois têm um grande trabalho pela frente de partilha, diálogo, respeito, renuncias para que haja um bom convívio entre eles. Posteriormente, chegam os filhos e essa batalha é alargada, ampliada aos rebentos e à forma como lidam com eles, os educam. Quando os pequenos começam a crescer, inicia-se uma outra fase que é a de se entenderem entre si e conviverem entre si de forma saudável.

Podemos comparar a família a um barco. Imaginemos o barco da família Oliveira, onde estão todos lá dentro, todos juntos, cada um tem o seu espaço, mas existem espaços em comum que é necessário partilhar, quando vêm as tempestades não pode ficar cada um de um lado, mas precisam de se unir e se a tempestade se torna mais intensa, ondas gigantes, mar encrespado, água a entrar no barco, talvez chega o momento onde precisam reunir-se, dar as mãos, olhar nos olhos uns dos outros, traçar um caminho juntos, distribuir tarefas e não deixar ninguém para trás. A família está toda no mesmo barco e os seus objetivos são os mesmos, eles amam, perdoam, convivem, sofrem, mas sempre unidos.

Ser família comporta, igualmente, a individualidade de cada um. Essa individualidade engloba a minha personalidade (forma de ser e de reagir perante as situações), a minha identidade (quem sou eu, como me vejo, sinto, o conhecimento de mim), os meus comportamentos, ideias, sonhos, desejos, vontades, metas. Ora as individualidades todas juntas criam atritos, choques, discussões, desilusões, desentendimentos. Por isso é tão importante saber conviver.

Ao pesquisar no dicionário, conviver, diz que é saber viver com; viver em comum; viver proximamente; ter intimidade. Portanto, conviver é ter de juntar as diferentes individualidades, é viver proximamente com as diferenças de cada um e habituar-se a elas. Podemos comparar a convivência familiar a um puzzle. Cada elemento da família é uma peça de puzzle, com a sua individualidade, para conseguirmos montar o puzzle temos de conhecer o todo, saber o que estamos a montar, identificar as cores, as formas, os elementos que compõem a figura do puzzle. Posteriormente, olhar para cada peça, sua individualidade e ir tentando encaixar.

O mesmo se passa no convívio familiar: o 1º passo é o conhecimento. Temos que conhecer cada pessoa, perceber a forma como reage às diversas situações, como as sente. Entretanto, o conhecimento do outro implica o auto-conhecimento, tenho de começar por me conhecer e perceber as minhas reações, limites, o que tolero ou não, forma de pensar, para depois me dedicar ao outro e ajudar no seu processo de auto-conhecimento.

Os pais são as figuras de referência dos filhos e os que mais os conhecem, logo os primeiros a ajudar neste processo tão importante de auto-conhecimento.

Em conjunto com o conhecimento tem que existir o diálogo e o respeito, isto é, através da partilha respeitosa vamos conhecendo os limites de cada um e tentar ajudar mutuamente, aqui é a parte onde nos vamos encaixando, peça por peça. Existem peças mais difíceis de encaixar, outras nem tanto, algumas temos de colocar de lado e esperar algum tempo para as conseguir encaixar, o importante é não desistir, nem deixar que a raiva nos domine e deitar a perder o que já construímos.

Como vimos no dicionário, conviver é, igualmente, relacionar-se intimamente, ter intimidade. Todo o ser humano deseja ser íntimo de alguém, ser amado, desejado, bem-querido. Intimidade implica conhecimento. Só quando nos abrimos ao conhecimento de nós mesmos, entramos no nosso íntimo, e descobrimos as belezas escondidas. Da mesma forma, só quando trilhamos o caminho do conhecimento do outro, desabrochamos as belezas do seu interior. É na intimidade que os laços se fortalecem e o amor se constrói, solidifica e cresce.

A família necessita, portanto, do convívio, entrar em intimidade uns com os outros, conhecer-se e dialogar, com respeito, para um agradável e frutífero convívio.

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Marta Faustino

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