Raízes e Asas


Educar é das tarefas mais difíceis que temos de realizar. Primeiro, porque os filhos não trazem um manual de instruções, segundo porque existem muitas pessoas cheias de opinião e de "razão" e terceiro porque cada criança é um mundo peculiar, onde desbravamos caminho a cada dia.

Certa vez ouvi uma palestra de uma terapeuta familiar cheia de sabedoria (já era avó) que disse o seguinte:

"O que podemos dar, de melhor, aos nossos filhos é: raízes e asas".

Realmente, podemos oferecer-lhes um quarto repleto de brinquedos, uma assinatura de um serviço streaming para verem filmes e séries, uma liberdade total, entre tantas outras coisas, mas nada disso é educar e não os vai satisfazer.

As crianças necessitam sentir-se amadas e seguras. Quando um bebé se sente seguro ele consegue sair da proteção das "saias da mãe" e explorar o mundo que o rodeia, porque ele sabe que por mais longe que vá, mesmo deixando de ver a mãe, ela estará lá, para quando ele regressar, ele tem essa certeza. Os pais precisam ter tempo de qualidade com os seus filhos, para gerarem vínculos securizantes. Criar raízes é dar sentido a esse tempo que se tem com eles, onde se exploram brincadeiras, geram cumplicidade, vivem aventuras e traquinices. Mas mais ainda, é criar tradições de família. As rotinas, os hábitos são muito importantes, pois dão, igualmente, segurança, estabilidade, são previsíveis. Cada família tem os seus, mas por exemplo: saber que sábado à tarde é tempo de fazer um bolo juntos, ou passear; domingo é o dia de visitar os avós; quando alguém faz anos vamos à cama cantar os parabéns, etc.

No entanto, os filhos não vão ficar para sempre debaixo da nossa "asa", temos de os preparar para a autonomia. Precisamos dar-lhes asas para eles, aos poucos, irem voando, primeiro com a nossa orientação e depois sozinhos.

Dar asas é dar liberdade e responsabilidade. Dar asas é, por exemplo, criar uma rotina em casa, onde cada um tem a sua tarefa para realizar e caso não a faça tem consequências que terá de ser responsabilizado por isso.

A grande questão da educação é o equilíbrio entre um e outro, isto é criar raízes, mas dar asas. Os nossos filhos têm de se sentir amados incondicionalmente por nós, com a certeza de que estaremos sempre lá para os amparar, saberem quem são e o potencial que têm, mas seguros o suficiente para darem passos por si mesmos e alcançarem os ramos mais altos, sem medo de cair.

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Marta Faustino

 

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©2020 por Marta Faustino - Psicóloga clínica.