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A compreensão mútua nos relacionamentos:

Relacionamentos são feito de pessoas e pessoas são seres singulares, únicos, desta forma, falar de relacionamento é falar de conflito, pois vai sempre existir um choque de ideias, formas de pensar, de agir, de sentir e de viver.



No entanto, os conflitos podem ser minimizados, atenuados, a partir do momento em que ambos compreendem que são diferentes e que querem que a relação funcione. Então, quando o nosso objetivo é a durabilidade do relacionamento, ambos trabalhamos nesse sentido e, dessa forma, caminhamos de mãos dadas com o diálogo e a compreensão.


Uma ferramenta chave nos relacionamentos é o autoconhecimento, pois ele vai proporcionar a descoberta de mim mesmo, da minha forma de sentir, de pensar, reagir e, esse trabalho, vai-me ajudar a ver o outro através de mim, isto é, compreender que preciso colocar-me no lugar do outro e não só na cadeira de árbitro onde julgo os comportamentos do meu adversário.


Gosto muito de pensar, e de dizer aos casais, que o casal é da mesma equipa e não adversários. Frequentemente, os casais tratam-se como adversários, como alvo abater, como se o outro quisesse o seu mal, não o tivesse em conta. Existe muita dificuldade na compreensão do que o outro está a sentir e, muitas vezes, a sensação de não se sentir escutado.


Então, a empatia e a escuta ativa são palavras-chave que necessitam existir para que se chegue a uma compreensão mútua e isto, reduz os conflitos no casal.


A empatia requer um trabalho de autoconhecimento, pois necessito conhecer-me melhor, identificar as emoções em mim, o que me faz reagir de determinada maneira, o eco que fica cá dentro por determinada situação e como reajo, etc., pois quanto mais conscientes estivermos acerca das nossas próprias emoções, mais facilmente poderemos entender o sentimento alheio. As emoções, raramente, são colocadas em palavras, são expressas muito mais sob outras formas, por exemplo: tom de voz, gestos, expressão facial e outros sinais, por isso precisamos de estar bem atentos ao outro e saber escutar.


Todos nós gostamos de perceber que somos escutados e tidos em conta, neste sentido, é necessário que o outro me escute e escutar não é ouvir! Ouvir todos ouvimos, pois temos ouvidos (se não tivermos nenhuma patologia auditiva), mas escutar, é necessário um esforço da nossa parte. A escuta ativa envolve escutar o outro, nas palavras e no coração. Vejamos o seguinte exemplo: a mulher que diz ao companheiro “Ajudo-te sempre nos teus problemas, dou-te sugestões e ajudo-te a pensar, mas quando te falo dos meus, não me ajudas em nada! Tenho de tomar as decisões sozinha!”, esta mulher sente que o companheiro não lhe dá a atenção que ela gostaria, não se sente escutada e, isto vai levar a um sentimento de não amada. Por vezes, o simples facto de o outro parar, olhar nos olhos e ficar atento ao outro já lhe vai permitir perceber o que o outro lhe está a tentar dizer. É que nós não falamos só por palavras, mas todo o nosso corpo transmite uma mensagem ao outro e a escuta ativa envolve tudo isso. A pessoa que se sente escutada sente-se amada, especial pois percebe que o outro lhe dá esse tempo, mesmo na azafama do dia, de atenção exclusiva. Atenção que a escuta ativa, também, necessita de caridade, pois posso eu estar pronta para comunicar algo, mas o outro não estar pronto para receber, portanto, perceber o outro para adequar, igualmente, a minha linguagem e forma de falar, para ele compreender melhor. Sempre com caridade, sem querer ofender, julgar, maltratar, tentar sempre que o outro se sinta amado e não humilhado.


Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) tem uma frase muito interessante Não aceite nada como verdade se não houver amor. Não aceite nada como amor aquilo que falta verdade”. Se o que queremos comunicar ao outro é uma verdade temos de saber dizer com coerência e clareza, e se for uma verdade dolorosa, teremos de ter caridade e empatia, para perceber o outro, sentir o que ele está a sentir e adequar a linguagem para que ele escute bem a mensagem, sem distorções.


Marta Faustino

Psicóloga Clínica



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