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Cuidar da raiz


Vivemos num ritmo muito intenso de vida, que nos faz andar sempre sem tempo. Parece que as horas passam, os dias correm, as semanas voam e os meses desaparecem de vista! E quando tenho tempo para mim, para refletir sobre as minhas escolhas, ponderar as minhas decisões?

Acabamos por viver de forma superficial a nossa vida, sem nos aprofundarmos. Contudo, de vez em quando caímos num poço de tristeza e não percebemos o motivo.

"Não sei que se passa doutora, sinto-me triste, mas não sei porquê", ou "Tenho andado deprimida, mas não tenho razões para isso. A vida até me corre bem!".

São vários os casos de pessoas que não estão bem, mas não sabem explicar o motivo. Devido a este ritmo intenso acabamos por não nos defrontar com decisões que vamos tomando e, quando o sofrimento surge, tentamos colocar um penso na ferida e seguir em frente, porque não temos tempo. As feridas vão ficando e vamos tentando lavar e colocar outro penso sem nos demorarmos muito tempo. No entanto, chega um momento em que não aguentamos e teremos de gastar mais tempo para limpar, desinfetar e tratar de todas essas feridas e, nessa altura, já não conseguimos sozinhos.

Santo Agostinho escreveu: "Preocupas-te se a árvore da tua vida tem galhos apodrecidos? Não percas tempo: cuida bem da raiz e não terás de te preocupar com os galhos". Necessitamos de nos demorar na nossa raiz, no nosso interior, encontrarmo-nos connosco, conhecermos o nosso Eu e entrarmos em contato com o nosso Criador, pois só na comunhão entre nós e Deus nos conhecemos e ganhamos sentido para a nossa vida.

E como cuidar da raiz? A raiz, como disse, é o nosso interior, as nossas escolhas, motivações, sentimentos, valores, ideais, sonhos, o nosso íntimo. Precisamos, com urgência, de cultivar momentos a sós com o nosso Eu, de paragem para reflexão, para cuidar da nossa alma, de orientarmos o nosso pensamento, redirecionar os nossos sonhos, metas com o intuito de nos sentirmos confiantes, seguros e livres. Desta forma, não precisamos de nos preocupar com os obstáculos que vão surgindo, os comentários de que não vamos conseguir, de que estamos a perder tempo, pois estamos confiantes da nossa capacidade, seguros do que queremos e livres para avançar.

Marta Faustino

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