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Humor em Logoterapia

Este ano temos feito este caminho de descoberta da Logoterapia e, desta forma, temos aprofundado em cada semana um conceito desta corrente da psicologia. No artigo passado descobrimos o que é o autodistanciamento e percebemos a importância que ele tem na nossa saúde mental. Hoje vamos perceber que o autodistanciamento está interligado a outro sinal de sanidade mental: rir de si mesmo, o humor.



Na logoterapia olhamos a pessoa no seu todo, como um ser bio-psico-social-espiritual, portanto conseguimos ver o Homem com determinadas capacidades humanas que o distinguem dos animais, uma delas é que o animal não se preocupa com o sentido da vida e não sabe rir. Mas o Homem sim! O Homem necessita ter um sentido na sua vida, algo que o ajude a ultrapassar o momento mais doloroso, algo que o impulsione a lutar, para não se acomodar e, no meio de tudo isto, há situações onde o humor é imperativo e ajuda o Homem a sair do seu mundo, da sua dificuldade, sofrimento e a ver com um outro olhar mais leve o meio circundante.


Uma pessoa que sabe rir de si, sabe, da mesma forma, distanciar-se, observar-se, questionar-se, pensar sobre si mesma, ver além da situação/sofrimento e posicionar-se.


Quando alguém ri dos seus problemas provoca uma distância entre o seu eu e o problema, logo o humor ajuda o Homem a ser ‘dono de si’, pois posiciona-se acima do seu problema para ‘dominá-lo’. Esta capacidade permite à pessoa compreender que ela não é a situação/sofrimento, não é o que lhe acontece, não é o seu limite. Desta forma, ao distanciar-me de uma situação eu tomo posse de mim, das minhas reações e comportamentos perante o sofrimento, logo deixo de agir num impulso, mas domino as minhas paixões, pois passo a compreender e ver além.


O autodistanciamento está ligado à autocompreensão, pois à medida que me vou distanciando de mim vou-me percebendo, analiso as minhas reações, relativizo-as, questiono-me e tomo decisões perante os meus comportamentos.


Frankl fala do humor também ligado a uma técnica logoterapêutica que é a intenção paradoxal. Esta técnica baseia-se na capacidade da pessoa se distanciar do seu problema e rir-se de si mesma. Por exemplo uma pessoa que não consegue falar em público, pois começa a gaguejar, é lhe dada a indicação, segundo a intenção paradoxal, que da próxima vez que for falar em público tente gaguejar o máximo que conseguir, mas ao ponto de ninguém perceber nada do que ela está a falar e comecem todos a rir às gargalhadas, com a dificuldade que ela tem em ler e por gaguejar imenso. A pessoa vai esforçar-se para fazer exatamente aquilo que teme, mas com grande exacerbação. Claro, que isto implica a capacidade de se rir de si mesmo, o humor. A verdade é que, assim que a pessoa começa a desejar e a dar indicações a si mesma para que aconteça o que mais teme, o medo cessa, a ansiedade baixa.


Nada faz com que o paciente se distancie mais de si mesmo como o humor[1]” Frankl enfatiza, sempre, nos seus escritos que esta capacidade do ser humano é das mais importantes para que se viva com mais leveza, mais saúde mental, mais harmonia com as pessoas que o rodeiam.


Concluindo, vamos rir muito, vamos rir mais, vamos tornar mais leve a nossa vida e a de quem nos rodeia.


Marta Faustino

[1] Frankl, V. (2016). “Teoria e terapia das neuroses. Introdução à logoterapia e análise existencial.” É Realizações Editora, Livraria e Distribuidora, Ltda. São Paulo.

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