Qual a função das emoções?

Ao longo deste mês temos vindo a conhecer um pouco mais este nosso mundo interior, onde reinam as emoções. Hoje vamos conhecer cada uma das emoções inatas e as suas funções.



As emoções são alterações de estado de corpo que não controlamos, elas são irracionais, automáticas e públicas[1]. São respostas automáticas, rápidas (surgem em segundos), que geram alterações fisiológicas e são universais, isto é, qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, consegue reconhecer, no outro, estas emoções. Essas emoções inatas são a alegria, tristeza, raiva, medo e nojo.


  • A alegria surge quando algo de bom acontece e gera, em nós, felicidade, bom humor e fortalece a autoconfiança. Eu sinto-me leve, bem, o coração aconchegado, uma sensação de força renovada. Os pensamentos que me surgem são de quase omnipotência, pois parece que tudo consigo fazer, não há obstáculos a nada, tudo parece mais fácil, sinto-me leve e poderosa, logo os meus pensamentos são bons, alegres, bonitos e positivos. Esta emoção faz brotar a esperança.


Com estes sentimentos tão bons e motivadores, acabo por tomar boas decisões, ajudo os outros, faço coisas bem feitas, consigo traçar planos e o meu corpo reage com um sorriso, ou pulos de alegria. Interessante que, mesmo estando a passar por alguma dificuldade, a alegria faz-me ver o lado bom da situação e vislumbrar uma luz no fundo do túnel.


  • A tristeza aparece quando tenho saudades, quando alguém parte (falecimento, separação física e/ou emocional), quando alguém me magoa ou alguma situação injusta. Isto faz-me sentir abatida, sem esperança, desmotivada e pode, até, levar-me ao desespero e depressão. No meu corpo sinto um peso enorme que me carrega a alma, tenho a sensação de que tudo é cinzento, parece que há minha volta nada há de bom, nada me anima e nada vai mudar.


Com esta sensação vem a vontade de chorar, o coração pesado, garganta apertada, o apetite vai embora, fico sem energia, os ombros descaem, pois parece que tenho um peso gigante sobre mim. Os pensamentos de que nada vai mudar levam-me a pensar que toda a minha vida é má, eu sou má, ou insignificante, ninguém gosta de mim, ou ninguém me compreende, sinto-me sozinha no mundo e isto vai gerando, em mim, uma desesperança, um desânimo que me leva ao isolamento.


Contudo, a tristeza, em determinada dose, é benéfica, pois este isolamento, num primeiro momento, faz-me refletir sobre mim, a minha vida, a situação que me levou aquele estado e ponderar alterações, em mim, ou mudanças na minha vida que sejam saudáveis. Por vezes, só após um momento de tristeza e de reflexão é que consigo tomar decisões importantes na minha vida e libertar-me de algumas pessoas/situações/locais que me estavam a ser nocivos.


  • A raiva aparece quando menos esperamos e parece que não a controlamos. Surge quando há uma frustração ou injustiça, quando sentimos que algo de errado ou injusto nos aconteceu. É uma emoção forte de descontentamento, de incompreensão, onde perco, um pouco, a noção da realidade e do que é coerente fazer/dizer/reagir. No meu corpo percebo que começo a respirar fundo, a cara fica vermelha, orelhas quentes, dentes e punhos cerrados, isto é, fico extremamente tensa e esta atitude bloqueia o meu pensamento. Por isso é muito comum uma pessoa com raiva agir no impulso e arrepender-se mais tarde.


Os pensamentos que surgem são de incompreensão, de injustiça e começo a pensar sobre o que posso fazer para sair da situação. Atenção a raiva pode ser de tal forma que pode bloquear o pensamento e reajo só no impulso. Em casos extremos, estão a agressão ao outro. Portanto, a reação do meu corpo é muito variada, mas posso gritar, ou chorar, cerrar os dentes e grunhir, posso magoar alguém verbal ou fisicamente, atirar com algo ao ar.


Mas nem tudo é mau na raiva. Ela pode, da mesma forma, ser protetora, pois dá-nos força para reagir, drástica e impulsivamente, em determinadas situações que precisam de resoluções dessas. Exemplo, alguém que me rouba, a raiva pode ajudar-me a atacar a pessoa em causa ou a defender-me.


  • O medo surge quando achamos que estamos em perigo, quando vivemos uma situação angustiante. O medo também pode surgir quando preciso fazer algo que me assusta, que me causa angústia, ainda que o perigo não seja real, mas uma fobia. Com esta emoção, os olhos arregalam-se, respiro rápido, o coração acelera. A reação pode ser variada, desde gritar, ficar paralisada ou fugir.


Normalmente, os pensamentos que se instalam são de que algo de mau me vai acontecer (ou a alguém que amo), que não vou conseguir ultrapassar alguma situação, pensamentos muito negativos. Isto gera sentimentos de rejeição, insegurança, ansiedade, vergonha, angústia, dor, sofrimento, pode levar à confusão mental e desorientação. Como referi, as reações físicas podem ser de paralisação, onde as pessoas relatam uma incapacidade de reação, como se o corpo não correspondesse ao que quero fazer, pode, até, existir uma amnésia do momento traumático; ataque, onde eu me encho de coragem e todo o meu corpo se prepara, fisicamente, para reagir e dar tudo de si; ou fuga, onde eu decido fugir para bem longe.


Esta emoção, é, da mesma forma, protetora e importante para o nosso dia-a-dia, pois o medo faz com que eu tenha precaução e cautela em determinadas situações, o que me faz evitar acidentes e situações perigosas. Por exemplo, o medo de morrer faz com que eu conduza com cuidado, olhe antes de atravessar a estrada, que não me aproxime do fogo, entre tantas outras situações.


  • O nojo surge quando há algo que não agrada, pelo seu aspeto, ou quando provo e o sabor me causa repugnância. Quando surge o nojo coração acelera, engelho o nariz, desvio o olhar, a boca contrai num som de nojo. Isto causa, em mim, falta de apetite, náusea e, inclusive, vómito. No momento em que esta emoção aparece, penso que não consigo ver aquilo, quanto mais comer e evito ao máximo ver, cheirar.


Esta emoção é muito importante, também, na nossa sobrevivência, pois evita que eu coma alimentos estragados ou nocivos à minha saúde e caso eu desconheça aquele alimento e ele me faz mal, aprendo a não o comer mais.


Agora vamos fazer um exercício, volte a ler este artigo, mas pare no final de cada emoção e pense em si, consegue identificar, em si, os sinais que o corpo dá quando está alegre, triste…? Quais são? Este é um passo importante na gestão emocional, no domínio de si mesma.


Bom trabalho e caso queria pode partilhar a sua experiência comigo.

[1] Damásio, A. (2003). Ao encontro de Espinosa: as emoções sociais e a neurologia do sentir. Publicações Europa-América


Marta Faustino

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