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Quando os dois têm uma mesma visão: estratégias de resolução de conflitos

Os conflitos existem e fazem parte da vida do casal. Esta frase é verdade para todos os casais, pois não existe um casal que não tenha, em algum momento da sua vida um conflito, por mais pequeno que seja. O mais comum é existirem conflitos entre os casais sobre os mais diversos temas. É importante que tenhamos isto em conta, para que não exista uma idealização do relacionamento entre o casal.




Os conflitos fazem parte da vida do casal e isso é um facto, agora podemos resolvê-los de uma forma destrutiva ou saudável. Neste artigo vamos perceber como resolver os conflitos de uma forma saudável, assertiva e construtiva.


Em qualquer comunicação necessitamos de ter domínio de nós mesmos, dos nossos impulsos, emoções, conseguir compreender o que o outro está a sentir, para evitar um escalar de emoções mais intensas. Para isso precisamos de saber escutar e silenciar. Perante uma situação desconfortável eu preciso saber silenciar no momento certo, deixar que a poeira assente, organizar os meus pensamentos e deixar o outro também organizar os dele e, ainda, perceber se aquele é o momento certo para se ter uma conversa ou se há necessidade de adiar, porque observo que o outro não está preparado emocionalmente para o diálogo, ou eu mesma não estou.


Outro aspeto a ter em consideração são os limites próprios de cada um. Eu não sou perfeita e o outro também não é, por isso não posso esperar atitudes imaculadas da parte do outro. Eu posso errar, posso pensar de forma diferente, menos correta, não conseguir ver o todo, descuidar um ponto de vista, magoar, sem querer, o outro, com atitudes ou palavras, e o mesmo pode acontecer com o outro em relação a mim. Portanto preciso ter consciência dos limites que nos são inerentes e não querer a imagem de um homem/mulher perfeito(a).


Num conflito temos de ter os olhos postos na solução da situação e não ficar focamos no problema, na mágoa, no ressentimento, na tentativa de encontrar um porquê, uma causa para o outro ter feito/dito o que fez ou disse. É imperativo que se invista na resolução da situação, olhar o futuro com esperança e não ficar preso no passado.


Claro, que existem situações mais duras, mais complexas, onde há a necessidade de se dialogar sobre os motivos, expor-se o coração ao outro, pedir perdão e isso pode exigir um pouco mais de esforço de ambos, talvez até seja necessário algum intermediário, um profissional e saúde. Contudo, depois de ser falada, explicada a situação e haver o pedido de perdão temos de colocar os olhos no futuro e avançar para uma solução. A solução pode passar por esclarecer alguns outros assuntos com outras pessoas envolvidas, fechar alguma conversa que necessita ser feita, ou até dar provas de confiança novamente, entre muitos outros aspetos que podem envolver essa resolução final, mas sempre focar na solução, ter a esperança de um futuro melhor ao lado dessa pessoa.


Um outro aspecto a ter em consideração é a flexibilidade, isto é, o outro pode sugerir uma resolução que não me agrada totalmente, ou que eu não estava a pensar dessa forma, mas preciso de ponderar que talvez necessite ser por aí o caminho, ou até que podia ser feito de outra forma, mas daquela que está a ser sugerida também não é errada. Portanto não posso querer tudo à minha maneira, o outro também tem ideias (podem não ser tão boas como as minhas, 😉 mas também as tem e preciso de o valorizar).


Alguns estudos[1], sugerem que em conflitos mais graves podemos precisar de ser menos empático e sermos mais dominadores, isto é, usar estratégias que podem até ser avaliadas como negativas, mas nesses casos serem muito positivas “como dar ordens, controlar e tomar decisões sem consultar o parceiro, mediam a resolução de conflitos graves e podem ser preditoras de satisfação conjugal nas relações em que há problemas mais sérios como, por exemplo, uso de substâncias psicoativas.” Portanto em determinadas situações mais graves posso necessitar de levantar a voz, de dar uma ordem ou exigir a presença de alguém para mediar a conversa, entre outras situações, por forma a resolver a situação. Por vezes há necessidade de se ser mais diretivo e impositor para que o outro acorde, tome consciência do erro grave que cometeu.


[1] Costa, C. e Mosman, C. (2015). Estratégias de Resolução dos Conflitos Conjugais:

Percepções de um Grupo Focal. Porto Alegre, v. 46, n. 4, pp. 472-482


Marta Faustino

Psicóloga Clínica

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