Saber esperar

Espera 5 min!”, “Tens que esperar que termine este trabalho”, “Espera um tempo e volta a tentar.”, “Não queiras tudo para hoje, tem calma”, “Não te consigo dar uma resposta agora, aguarda”. Frases como estas ouvimos diversas vezes na nossa vida, e, em alguns momentos, no mesmo dia!



Vivemos numa sociedade muito acelerada, tudo é necessário para ontem, as pessoas não sabem esperar. E, desde cedo, incutimos isto nas nossas crianças, onde as aceleramos para tudo “despacha-te!”, “veste-te rápido”, “faz isso rápido” e, noutras circunstâncias, pedimos para que tenham paciência e esperem! Mas que mundo doente é este?! Pobres das nossas crianças que vivem neste desequilíbrio e confusão, onde ora têm que se despachar e serem umas máquinas, ora precisam de saber esperar, porque “saber esperar é uma virtude!”, dizemos nós, como se fossemos os mais pacientes do mundo! Que incongruência a nossa!


A verdade é que saber esperar é mesmo uma virtude e é sinal de maturidade. Mas não vimos programados para esta espera. O nosso cérebro vem preparado para agir no impulso, como forma de autoproteção. Com a nossa evolução, também o cérebro evoluiu e usamos, hoje em dia, uma parte muito importante do cérebro chamada neocórtex, que nos ajuda a pensar sobre as ações, planear o que vamos fazer e tomar decisões mais ponderadas.


A nossa evolução veio mostrar-nos que nem tudo pode ser feito no imediato e, a grande maioria das nossas decisões necessitam ser pensadas, bem refletidas e até conversadas com outras pessoas.


Perante situações que nos tiram do sério ou que nos preocupam o nosso impulso é agir de forma imediata, ou porque nos exaltamos e explodimos ou porque precisamos de nos proteger. Contudo, nem todas as situações são de perigo iminente e, nesse caso, é necessário que haja ponderação da nossa parte, isto é, que possamos parar e refletir sobre a melhor forma de atuar, e assim estamos a usar o neocórtex. Ao fazermos este movimento, de paragem e reflexão, estamos a refletir sobre o motivo daquela situação (pode ser má interpretação da minha parte, tentar perceber se compreendi bem a situação e o que ela implica), bem como, a ponderar as consequências das nossas ações (se eu agir desta forma o que pode acontecer, o que a pessoa pode pensar, como posso agir para que haja o mínimo de problemas possível, etc.).


Nem sempre nós conseguimos fazer esta paragem e pensar sobre o que se está a passar, mas da mesma forma, nem sempre quem está do outro lado sabe esperar o tempo necessário para nós refletirmos e tomarmos decisões mais assertivas. Portanto, o nosso problema não é só nós sabermos esperar, mas ensinarmos os que nos rodeiam a saber aguentar a nossa espera.


Mesmo em situações stressantes (eu diria, exatamente nessas situações de maior stress) devemos saber esperar, para que as decisões sejam bem pensadas e não andemos, posteriormente, apanhar os cacos e arrependidos das nossas decisões.


Vamos aproveitar este tempo de início de ano que se aproxima para fazermos uma revisão de vida e este será um belo ponto de começo: será que eu sei esperar o tempo certo para agir? Será que eu sei esperar o tempo do outro para aguardar uma resposta dele?


Marta Faustino

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